Realidade hegemônica e universalismo europeu: a colonialidade do poder

Ingrid Freire Haas

Resumo


O Eurocentrismo marcou o que conhecemos como “modernidade”: aniquilou culturas, codificou raças, somatizou as diferenças, impactos sofridos por todos os povos colonizados até hoje, o que chamamos de colonialidade. Neste processo de descobrimento, depois de reconhecido o território colonizado, passavam ao controle e dominação das pessoas, com a justificativa de pacifica-las, de apresentá-las a civilização, a salvação. A modernidade significava a Europa e, nessa perspectiva as relações se tornaram binárias, o que era desenvolvido de um lado e o resto, o que era primitivo, de outro, caracterizado pelas diversas “raças”. Os povos colonizados foram inseridos na modernidade de forma a desacreditar em qualquer forma de mudança, em qualquer pensamento que não participe da lógica europeia, linear e ocidental. Ao reproduzir conceitos e prerrogativas externas, homogeinizadoras, modernas e ocidentais, o indivíduo esquece de seu próprio ser, sua própria raiz aniquilada e encoberta ao longo de tantos anos pelo colonialismo e que ainda refletem a colonialidade.


Palavras-chave


Eurocentrismo; Hegemonia; Colonialidade; Modernidade; Direito Comparado; História do Direito

Texto completo:

Versão Virtual (99-115)

Referências


AZEVEDO, Luiz Henrique Cascelli. Ius Gentium em Francisco de Vitória. A fundamentação dos Direitos Humanos e do Direito Internacional na tradição tomista. Ed. Sergio Antônio Fabris. Porto Alegre, 2008.

DUSSEL, Enrique. 1492 – O Encobrimento do Outro - A Origem do “mito da modernidade”, Petrópolis, RJ: Vozes, 1993.

FRANÇA, Waldir Xavier. Disponível em: http://pesformosos.com/o-que-e-missao-transcultural/ Acesso em 10 de outubro de 2013

HUNTINGTON, Samuel. O Choque de Civilizações e a recomposição da ordem mundial. Tradução M. H. C. Côrtes. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 1997.

LAS CASAS, Bartolomé de. Brevíssima relação da destruição das Indias – O paraíso destruído: a sangrenta história da conquista da América espanhola.Tradução de Heraldo Barbuy. Porto Alegre: L&PM, 1991, 5a.edição. 150 págs.

LANDER, Edgardo. Ciências Sociais: saberes coloniais e eurocêntricos. In: LANDER: Edgardo. (Organizador) A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Colección Sur Sur, CLACSO, Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina. setembro 2005

LAFER, Celso. A Reconstrução dos Direitos Humanos – um diálogo com o pensamento de Hannah Arendt. Rio de Janeiro, Editora: Cia das Letras; 2001.

MAGALHÃES, José Luis Quadros. Estado Plurinacional e Direito Internacional. (Coleção para entender). Coordenação: Leonardo Nemer Caldeira Brant. Curitiba: Juruá, 2012.

MALDONADO-TORRES, Nelson. A topologia do ser e a geopolítica do conhecimento. Modernidade, império e colonialidade. In: SOUZA SANTOS, Boaventura; MENESES, Maria Paula. (Orgs) Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010.

MENESES, Maria Paula G. Corpos de Vilência, Linguagens de Resistência: as complexas teias de conhecimentos no Moçambique Contemporâneo. In: SOUZA SANTOS, Boaventura; MENESES, Maria Paula. (Orgs) Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010.

MILLS, Charles. PATEMAN, Carole. 2007. Contract and Domination. Malden, MA: Polity Press, 2007. 320pp. Hardcover.

MORIN, Edgar. A Religação Dos Saberes. O desafio do século XXI. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER: Edgardo. (Organizador) A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Colección Sur Sur, CLACSO, Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina. setembro 2005.

______________. Colonialidade do poder e classificação social. In: SOUZA SANTOS, Boaventura. MENESES, Maria Paula. (Orgs) Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010.

RUIZ, Rafael. Francisco de Vitória e os direitos dos índios americanos. Ed.PUCRS, Porto Alegre. 2002.

SANCHES, Silvana Colombelli Parra. Pressupostos para pensar a alteridade no ensino de artes visuais na educação básica em mato grosso do sul. 2013. Disponível em: http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&ved=0CDcQFjAB&url=http%3A%2F%2Fperiodicos.uems.br%2Fnovo%2Findex.php%2Finterfaces%2Farticle%2Fdownload%2F1289%2F839&ei=DhlXUpHCKO_B4AOXjIHAAQ&usg=AFQjCNFPVdu_cbwkd9i_EqF-69GBOXDTrw&bvm=bv.53760139,d.dmg . Acesso em 10/10/2013.

SOUZA SANTOS, Boaventura. MENESES, Maria Paula. (Orgs) Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010.

VITÓRIA, Francisco de. Os índios e o direito da guerra: de indis et de jure belli relectiones. Rio Grande do Sul: Unijuí, 2006.

____________________. “Releituras” sobre os títulos legítimos pelos quais os Índios podiam ser sujeitos ao poder dos espanhóis. In: SUESS, Paulo (Coord.) A Conquista Espiritual da América Espanhola. Petrópolis: Vozes, 1992.

WALTER D. Mignolo, A colonialidade de cabo a rabo: o hemisfério ocidental no horizonte conceitual da modernidade. In: LANDER: Edgardo. (Organizador) A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. ). Colección Sur Sur, CLACSO, Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina. setembro 2005.

WALLERSTEIN, Immanuel. O Universalismo Europeu: a retórica do poder. Editora Boitempo. São Paulo: 2007.




DOI: https://doi.org/10.22456/0104-6594.72857

Apontamentos

  • Não há apontamentos.