Realidade hegemônica e universalismo europeu: a colonialidade do poder

Autores

  • Ingrid Freire Haas IBMEC BH

DOI:

https://doi.org/10.22456/0104-6594.72857

Palavras-chave:

Eurocentrismo, Hegemonia, Colonialidade, Modernidade, Direito Comparado, História do Direito

Resumo

O Eurocentrismo marcou o que conhecemos como “modernidade”: aniquilou culturas, codificou raças, somatizou as diferenças, impactos sofridos por todos os povos colonizados até hoje, o que chamamos de colonialidade. Neste processo de descobrimento, depois de reconhecido o território colonizado, passavam ao controle e dominação das pessoas, com a justificativa de pacifica-las, de apresentá-las a civilização, a salvação. A modernidade significava a Europa e, nessa perspectiva as relações se tornaram binárias, o que era desenvolvido de um lado e o resto, o que era primitivo, de outro, caracterizado pelas diversas “raças”. Os povos colonizados foram inseridos na modernidade de forma a desacreditar em qualquer forma de mudança, em qualquer pensamento que não participe da lógica europeia, linear e ocidental. Ao reproduzir conceitos e prerrogativas externas, homogeinizadoras, modernas e ocidentais, o indivíduo esquece de seu próprio ser, sua própria raiz aniquilada e encoberta ao longo de tantos anos pelo colonialismo e que ainda refletem a colonialidade.

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Biografia do Autor

Ingrid Freire Haas, IBMEC BH

Doutora em Direito Público pela PUC Minas (2014), aprovada com nota 100. Mestre em Direito Público pela PUC Minas (2009). Bacharel em Direito pela Puc Minas (2007). Bacharel em Letras pela UFMG (2003). Advoga na àrea de Direito Administrativo e Tributário. Professora da Graduação e Pós-Graduação em Direito. Professora do IBMEC/MG. Lecionou na graduação e Pós Graduação/IEC da Puc Minas e UEMG, Faculdade de Políticas Públicas. Tem experiência na área de Direito Administrativo, Constitucional, Tributário e Internacional. Membra da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MG.

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Publicado

2017-12-31