Palimpsesto e as relações de gênero em Elvira Vigna: um recurso como crítica ao patriarcado em 'Como se estivéssemos em palimpsesto de putas'

Lucas Gabriel Soares

Resumo


Este trabalho analisa a estrutura do romance Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, de Elvira Vigna como também, as relações sexistas às quais as personagens estão submetidas. Retratados por meio de uma narradora não revelada, estratégia estética realçadora da invisibilização da mulher dentro da sociedade, os causos de João, um profissional cujo único prazer é o sexo com garotas de programa, servem de retrato da construção da masculinidade e da dimensão patriarcal. Utilizando-se do artifício do palimpsesto como crítica ao patriarcado, o seguinte trabalho denuncia, a partir das leituras de textos de Monique Wittig e Gerda Lerner, como as diversas expressões do machismo se comportam através das sobreposições de vozes que emergem da narrativa.

Palavras-chave: Elvira Vigna. Palimpsesto. Patriarcado. Crítica Feminista. Memória.

 

Abstract

This article analyzes the structure of Elvira Vigna’s novel Como se estivéssemos em palimpsesto de putas as well as the sexist relations to which the characters are submitted. Portrayed through an undisclosed female narrator, an aesthetic strategy that enhances the invisibility of women within society, the stories of João, a professional whose only pleasure is having sex with prostitutes, serve as a portrait of the construction of masculinity and the patriarchal dimension. Using the palimpsest as a criticism for patriarchy, Vigna’s work denounces, from the readings of texts by Monique Wittig and Gerda Lerner, the various expressions of sexism behavior through the overlapping voices that emerge from the narrative.

Keywords: Elvira Vigna. Palimpsest. Patriarchy. Feminist Critique. Memory.


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DOI: https://doi.org/10.22456/2596-0911.103795

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