Tempo midiático e ficção literária

Márcio Serelle

Resumo


Este artigo busca analisar, na contemporaneidade, o influxo da cultura das mídias sobre textos da literatura brasileira, cujo movimento mimético em face dos dispositivos de enunciação dos aparatos midiáticos revela-se não mais apelo filoneísta – como em narrativas da modernidade – mas antiutopia da cultura da rapidez e do acúmulo. O trabalho investiga, em textos principalmente de Moacir Scliar, Luiz Ruffato e Michel Melamed, registros de um tempo caracterizado pelo imediatismo, simultaneidade e ilusão do programável, que permite aos narradores e outros sujeitos textuais constantes avanços e recuos temporais, sintomas de obsessão mnêmica e de ansiedade pelo porvir. Tensionado em formas literárias híbridas e breves – nas quais rapidez e concisão resultam de uma busca por construção intensa e memorável –, o tempo real e presente das mídias eletrônicas e digitais é desvelado como estratégia técnico-mercantil, em que a vida vertiginosa torna-se processo de substituição anestesiante.


Palavras-chave


Cultura das mídias. Tempo. Literatura.

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Intexto | E-ISSN 1807-8583 | Facebook | Google Scholar 

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