Agências de mulheres nas independências

das lutas bolivarianas aos levantes brasileiros

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/18070337-119773

Palavras-chave:

patriarcado, androcentrismo, historiografia, gênero

Resumo

Focamos na agência de mulheres em movimentos de independência do colonialismo ibérico. Na trajetória política de Manuela Sáenz, buscamos recuperar a diversidade de papéis desempenhados por mulheres na independência da coroa espanhola. No caso brasileiro, as contribuições de Bárbara de Alencar à revolução de Pernambuco, de Maria Quitéria de Jesus Alves e de Maria Felipa de Oliveira à libertação da Bahia. Embora essas trajetórias se diferenciem temporalmente, a subordinação que lhes é atribuída na historiografia é comum, daí a relevância do debate articulado de suas agências. A apropriação de saberes proibidos aponta para os esforços individualizados pelo deslocamento das condições de subordinação patriarcal. Sua ação, contudo, foi restringida pelos padrões patriarcais, obrigando-as a travestir-se ou relegando sua relevância histórica a personagens masculinos de suas relações.

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Biografia do Autor

Elizabeth Ruano Ibarra, Universidade de Brasília

Doutora em Ciências Sociais, professora Visitante do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) e Docente Permanente do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais – Estudos Comparados sobre as Américas da UnB. É pesquisadora da Corporación Universitária Autónoma del Cauca.

Viviane Resende, Universidade de Brasília

Doutora em Linguística (Linguagem e Sociedade), Professora associada do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas e Pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Linguística da UnB.

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Publicado

2022-08-29

Como Citar

RUANO IBARRA, E.; RESENDE, V. Agências de mulheres nas independências: das lutas bolivarianas aos levantes brasileiros. Sociologias, [S. l.], v. 24, n. 60, 2022. DOI: 10.1590/18070337-119773. Disponível em: https://www.seer.ufrgs.br/index.php/sociologias/article/view/119773. Acesso em: 1 fev. 2023.