A responsabilidade política corporativa por atos de violência no passado

a colaboração da Volkswagen do Brasil com a ditadura civil-militar brasileira

Autores

  • Marcelo Almeida de Carvalho Silva Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/FACC). https://orcid.org/0000-0001-8970-1177
  • Alessandra de Sá Mello da Costa Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Programa de Mestrado e Doutorado do Departamento de Administração/IAG. https://orcid.org/0000-0003-3207-2888
  • Cynthia Adrielle da Silva Santos Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Programa de Mestrado e Doutorado do Departamento de Administração/IAG. https://orcid.org/0000-0001-9981-4845

Palavras-chave:

Responsabilidade Política. Responsabilidade Histórica Corporativa. História Organizacional. Ditadura Civil-Militar Brasileira. Volkswagen do Brasil.

Resumo

Este artigo tem como objetivo compreender a responsabilidade das corporações no presente por seus atos de violência cometidos no passado à luz do conceito de responsabilidade política. Para tanto, analisamos o caso da colaboração da Volkswagen do Brasil com a ditadura civil-militar brasileira (1964-1985), compreendendo suas ações no presente como orientadas pela responsabilidade política, resultado da existência de um senso de comunidade organizacional. O argumento que defendemos é o de que a lógica de continuidade ainda é um ponto sensível na teorização sobre responsabilidade histórica corporativa e que a responsabilidade das corporações por crimes, violações dos direitos humanos, má conduta ou qualquer ato passível de contestação cometidos no passado perpassa diferentes gerações de gestores porque as corporações no presente possuem responsabilidade política e não (necessariamente) só responsabilidade moral. Concluímos, portanto, que a responsabilidade política existente em uma comunidade explica porque gestores assumem a responsabilidade por atos cometidos por seus antecessores. Neste sentido, ao promover o debate sobre responsabilidade política, o artigo contribui (1) para a teorização da responsabilidade histórica na medida em que oferece uma explicação para justificar a assunção de responsabilidade de determinada organização ao longo do tempo; (2) para o seu uso como instrumento de contestação de versões oficiais de histórias empresariais acerca de atos e eventos de seu passado; e (3) para a compreensão das organizações como comunidades políticas cujo senso de comunidade (sensus communis) pode ajudar a compreender tanto a permanência (intencional ou não) de determinadas características organizacionais ao longo do tempo como o compartilhamento de ideias e de propósito entre seus membros que orienta, ao mesmo tempo, um curso de ação individual e de responsabilidade coletiva.

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Biografia do Autor

Marcelo Almeida de Carvalho Silva, Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/FACC).

Doutor em administração pela PUC-Rio. Graduado e mestre em administração pela mesma instituição. Professor adjunto da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/FACC). Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis (PPGCC) da mesma instituição. Tem como interesse a pesquisa sobre a má conduta organizacional - violência, crimes corporativos, violação dos direitos humanos, corrupção - e as formas adotadas para a normalização de tais práticas. Estuda também perspectiva histórica na gestão e análise do discurso.

Alessandra de Sá Mello da Costa, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Programa de Mestrado e Doutorado do Departamento de Administração/IAG.

Professora de Estudos Organizacionais do Departamento de Administração (IAG) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e Coordenadora da sua Pós-Graduação em Administração de Empresas. Membro da Comissão de Carreira Docente do Centro de Ciências Sociais (CCS) da PUC-Rio. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível 2 e Bolsista CNPq - Edital Universal/2018. Foi bolsista FAPERJ Jovem Cientista do Nosso Estado de 2015 a 2019. Doutora em Administração pela EBAPE - Fundação Getulio Vargas, Mestre em Administração de Empresas pelo IBMEC-RJ e Graduada em Administração e em História. Coordenadora eleita da Divisão de Estudos Organizacionais (EOR) da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (ANPAD) para o triênio 2018-2020. Membro do Comitê Científico da Divisão Acadêmica Estudos Organizacionais (EOR) da ANPAD (2015/2017). Consultora de Projetos de Fomento da CAPES e CNPq. Membro de Comitês de Avaliação da CAPES. Membro do Corpo Editorial dos periódicos Cadernos EBAPE.BR (FGV), Revista Organizações & Sociedade (UFBA), Gestão e Sociedade (UFMG), Cadernos de Gestão e Empreendedorismo (UFF) e Observatório Nacional de Turismo (FGV), também atua como revisora de periódicos nacionais e internacionais tais como: Organization, Management Learning, Qualitative Research in Organizations and Management, Revista de Administração Pública (RAP), Revista de Administração Contemporânea (RAC), Revista de Administração de Empresas (RAE), Revista Organizações & Sociedade (UFBA), BAR (Brazilian Administration Review), entre outras. Coordenadora do Programa de Iniciação Científica do IAG/PUC Rio, possui interesse de pesquisa nas áreas de: (1) História, Memória e Organizações; (2) Comunicação, Identidade e Discursos Organizacionais; e (3) Teorias Organizacionais e Perspectivas Críticas.

Cynthia Adrielle da Silva Santos, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Programa de Mestrado e Doutorado do Departamento de Administração/IAG.

Mestre e Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Administração de Empresas da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Bacharela em Administração pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Atuou como bolsista PROIC de pesquisa de Iniciação Científica no Grupo de Estudos em Administração Contemporânea (GEAC) e como bolsista no Programa Universidade e Participação Social (PROEXT-MEC) na UFRRJ. Possui extensão universitária em Administração Pública na Cultura pela UFRGS, em Desenvolvimento e Aperfeiçoamento de Equipes e Acompanhamento de Programas de Pós-Graduação pela UNIRIO e, em Mídia, Poder e Manipulação - Leituras da conjuntura brasileira - pela UERJ. Atuou como Professora Substituta do curso de Administração no Departamento de Administração e Turismo da UFRRJ e atua como Mediadora Presencial do curso de Administração Pública da Fundação Centro de Ciências e Educação Superior à Distância do Estado do Rio de Janeiro (CECIERJ). Áreas de interesse de pesquisa: (1) Estudos Organizacionais Históricos; (2) Comunicação e Discursos Organizacionais; e (3) Teorias Organizacionais (Perspectivas reflexivas e críticas).

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Publicado

2022-04-28

Como Citar

Almeida de Carvalho Silva, M., de Sá Mello da Costa, A., & Adrielle da Silva Santos, C. (2022). A responsabilidade política corporativa por atos de violência no passado: a colaboração da Volkswagen do Brasil com a ditadura civil-militar brasileira. Revista Eletrônica De Administração, 28(1), 154–179. Recuperado de https://www.seer.ufrgs.br/index.php/read/article/view/114505

Edição

Seção

Artigos