Linfangioma de Vulva

Autores

  • Paulo Naud UFRGS
  • Jean Carlos de Matos HCPA
  • Maria Lúcia Opermann Rocha UFRGS
  • Adriani Oliveira Galão UFRGS
  • Valentino Antonio Magno HCPA
  • Luciano Hammes UFRGS

Resumo

Lifangioma de vulva é uma doença rara de proliferação benigna do sistema linfático que pode ser idiopática (incomum e com etiologia desconhecida) ou adquirida. Usualmente esta patologia tem sido relatada após danos dos vasos linfáticos da vulva por cirurgia ou radioterapia pélvica para tratamento de câncer de colo do útero.. Este tumor é geralmente assintomático, mas em algumas situações pode ocasionar sintomas importantes e distúrbios funcionais. As lesões podem ser confundidas com metástases de pele de câncer cervical e tuberculose pélvica. Transformação maligna não tem sido relatada, contudo, quando um linfedema crônico esta presente, devemos incluir o Linfangiosarcoma.entre as hipóteses diagnósticas.

Paciente com 39 anos, afro-descendente referida para atendimento por apresentar história de longa duração de extensa lesão vulvar com crescimento lento desde 1990, e que nos últimos dois anos havia se tornado mais rápido. Reportava história de inúmeras biópsias em diferentes locais da vulva, todas com diagnósticos variados e inconclusivos. Ao exame, percebia-se presença de edema duro em vulva com múltiplas lesões exofíticas escamosas de diferentes tamanhos, extendendo-se até o púbis. Nenhuma alteração cervical foi observada com a aplicação do ácido acético a 5% e o teste de Schiller foi também negativo. O exame de colposcopia foi normal. Três biópsias foram feitas em lugares diferentes da vulva. O exame citopatológico de colo uterino foi coletado. O diagnóstico histológico foi Linfangioma de vulva. O exame citopatológico de colo uterino foi normal e os exames culturais para Micobacterium e Donovanose assim como os exames sorológicos para Clamídia e Treponema foram negativos.

O manejo depende do tipo, tamanho e localização das lesões. Existem relatos da utilização de Laser com dióxido de Carbono, cirurgia excisional (vulvectomia parcial, total ou radiacal), eletrocirurgia, crioterapia e eletroterapia. Os melhores resultados tem ocorrido com Laser e cirurgia excisional. O tratamento proposto foi extensa ressecção em conjunto com a equipe da cirurgia plástica. A paciente teve boa evolução e grande satisfação com o resultado do tratamento. Houve redução significativa das lesões e do edema vulvar. No pós-operatório o tecido vulvar estava com aparência próxima ao normal.


Devemos ressaltar que o tratamento é apenas paliativo e que a doença dos vasos linfáticos, que é a causa das alterações persiste e que existe chances de recorrência.

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Biografia do Autor

Paulo Naud, UFRGS

Professor Adjunto do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade federal do Rio Grande do Sul

Jean Carlos de Matos, HCPA

Médico Contratado do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Maria Lúcia Opermann Rocha, UFRGS

Professora Adjunta do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade federal do Rio Grande do Sul

Adriani Oliveira Galão, UFRGS

Professora Adjunta do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade federal do Rio Grande do Sul

Valentino Antonio Magno, HCPA

Médico Contratado do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Luciano Hammes, UFRGS

Médico Ginecologista e Obstetra pela Universiade Federal do Rio Grande do Sul

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Publicado

2010-01-15

Como Citar

1.
Naud P, Matos JC de, Rocha MLO, Galão AO, Magno VA, Hammes L. Linfangioma de Vulva. Clin Biomed Res [Internet]. 15º de janeiro de 2010 [citado 3º de dezembro de 2022];29(3). Disponível em: https://www.seer.ufrgs.br/index.php/hcpa/article/view/9077

Edição

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