Tratamento da nefropatia lúpica severa

efeito da ciclofosfamida endovenosa prolongada e intermitente

Autores

  • José V. Morales
  • Francisco José Veronese
  • Raimar Weber
  • Charles L. Klamt
  • Roberto Berdichewisk

Palavras-chave:

Nefropatia lúpica, lúpus eritematoso sistêmico, ciclofosfamida, imunossupressores

Resumo

OBJETIVOS: A ciclofosfamida intravenosa é amplamente usada no tratamento da nefrite lúpica. Para analisar os desfechos a longo prazo, estudamos 54 pacientes tratados com ciclofosfamida no período compreendido entre 1989 e 1999.

MATERIAIS E MÉTODOS: Quarenta e dois pacientes foram incluídos no estudo. As biópsias renais revelaram, de acordo com a classificação da Organização Mundial de Saúde, nefrite lúpica classe III em 16,7% dos pacientes e classe IV em 83,3%. No início do tratamento, médias de creatinina sérica e proteinúria foram, respectivamente de 3,1 ± 2,5 mg/dl e 7,2 ± 5,4g/24h/1.73m2. Oitenta e oito por cento dos pacientes tinham proteinúria nefrótica, e em 83,3% a creatinina sérica era maior que 1,2 mg/dl. A duração média da nefrite anterior ao tratamento era de 10 meses, porém em 52% dos pacientes a duração era inferior a 6 meses. O seguimento médio desde o início do tratamento até os desfechos avaliados (insuficiência renal crônica terminal ou morte) foi de 72,2 ± 36,3 meses. Os pacientes receberam tratamento imunossupressor de acordo com o protocolo do National Institutes of Health dos Estados Unidos. Os pacientes foram classificados de acordo com a resposta clínico-laboratorial em remissão
completa, remissão parcial ou falha do tratamento.

RESULTADOS: Remissão total ou parcial foi alcançada em 70% dos pacientes no final do primeiro ano, e 62,5 % se mantiveram em remissão no final do terceiro ano. A sobrevida renal atuarial no 3º, 5º e 10º anos foram de 90,2%, 90,2% e 77,67%, respectivamente. Um paciente evoluiu para óbito e cinco necessitaram iniciar hemodiálise. Efeitos adversos do tratamento imunossupressor foram infecção respiratória (19,0%), Herpes Zoster (7,1%), amenorréia transitória (9,5%) e permanente (2,3%), necrose avascular de fêmur (4,7%) e sepse (2,3%). No período de seguimento não foi observada a ocorrência de cistite hemorrágica ou neoplasia.

CONCLUSÕES: Concluímos que ciclofosfamida endovenosa foi efetiva no controle da nefrite lúpica aguda e na manutenção da função renal a longo prazo, sem a ocorrência de efeitos adversos sérios.

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Publicado

2022-06-23

Como Citar

1.
V. Morales J, Veronese FJ, Weber R, L. Klamt C, Berdichewisk R. Tratamento da nefropatia lúpica severa: efeito da ciclofosfamida endovenosa prolongada e intermitente. Clin Biomed Res [Internet]. 23º de junho de 2022 [citado 5º de dezembro de 2022];20(3). Disponível em: https://www.seer.ufrgs.br/index.php/hcpa/article/view/125381

Edição

Seção

Artigos Originais

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