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PERDENDO A CABEÇA:
NOTAS SOBRE A IRA INSANA E A LOUCURA FURIOSA NO OCIDENTE MEDIEVAL (XIII-XV)

Rodrigo Moraes Alberto 1

 

Resumo: No período medieval, ira e loucura aparecem, frequentemente, associadas. Atos descontrolados onde a cólera toma conta do ser, de bravura furiosa, insanos, podem ser relacionados à loucura por seu caráter de afastamento da razão. Em contraponto, o louco, frenético, possuído, furioso, pelas suas ações, é tomado de acessos de ira. Loucura e ira são, portanto, muito próximas. Pela ambiguidade concernente a ambas e pelas características semelhantes, suas fronteiras nunca estiveram claramente delineadas. Pensamentos e concepções do mundo medieval sobre atos de cólera e distúrbios mentais estão presentes em romances, tratados doutrinários, e outros documentos escritos, assim como na iconografia. Este breve estudo pretende debruçar-se sobre a loucura e a ira, tentando perceber onde os conceitos se aproximavam no universo do homem medieval dos séculos XIII ao XV.

Palavras-chave:Ira; Loucura; Amor Cortesão; Iconografia; Cavalaria.

No período medieval, com frequencia ira e loucura aparecem associadas. Atos descontrolados, onde a cólera toma conta do ser, de bravura furiosa, insanos, podem ser relacionados à loucura por seu caráter de afastamento da razão. Em contraponto, o louco, frenético, possuído, furioso, pelas suas ações é tomado de acessos de ira. Loucura e ira são, portanto, muito próximas, e pela ambiguidade concernente a ambas, por suas várias características semelhantes, as fronteiras entre elas nunca estiveram claramente delineadas. Nos tempos atuais, quando já traçadas e delimitadas as demarcações, diferenciamo-las claramente. Para intentar extrair dos resquícios deixados por eles o que se compreendia por ira e loucura, entendendo o que pensamos hoje como construções históricas, é preciso mergulhar no jogo de valores desta civilização. Representados pela sociedade que os conceberam, pensamentos e concepções sobre atos de cólera e distúrbios mentais estão presentes em romances, tratados doutrinários, e outros documentos escritos, assim como na iconografia. Este breve estudo pretende debruçar-se sobre a loucura e a ira (como pecado e como virtude), tentando perceber onde os conceitos se aproximavam no universo do homem medieval dos séculos XIII ao XV.

As Faces da Ira e da Loucura

Os loucos foram percebidos e tratados com ambiguidade pela Idade Média, que frente a eles transitou entre a repulsão e a tolerância. De fato, não era uma loucura “monolítica”; havia certa diversificação entre pacíficas e furiosas, de lunáticos, histéricos e insanos, que remetiam ao ambiente das cortes, do jogo e do teatro. Jacques Le Goff vai um tanto mais além:

 
É possível (...) distinguir diversas categorias de loucos: os ‘furiosos’ e os ‘frenéticos’ que são doentes que se podia tentar tratar ou, mais freqüentemente, encerrar em hospitais especiais (...); os ‘melancólicos’, cuja esquisitice talvez fosse também física, ligada aos maus humores, mas que necessitavam mais de padre que de médico; enfim, a grande massa de possuídos que só o exorcismo podia livrar de seu perigoso hóspede (LE GOFF, 2005, p.319)..

A diversidade dos loucos mostra-se curiosa e bizarra aos dias de hoje. Pela sua arte e destreza, no que lhe cabia, o bobo da corte, o bufão dos reis e senhores, por vezes chegou a ser tratado como quase inspirado, tornando-se um conselheiro. O tolo da aldeia é um fetiche para a comunidade camponesa. Nas “festas dos loucos” 2, era feita uma exaltação aos débeis, humildes, oprimidos e despossuídos em geral, e os participantes – a maioria do baixo clero, jovens e estudantes – explicitavam seus rancores às diferenças e hierarquias das instituições as quais eles mesmos faziam parte, com liberdade, através do signo da loucura e da desrazão (MACEDO, 2000, p.235-237) 3. A loucura positiva e aceita pela sociedade acaba por desaparecer com a repressão que se seguiu ao renascimento que os tornou marginalizados e enclausurados nos hospitais-prisões 4.
Se a loucura era dual, a ira tinha caráter semelhante. Conceito nada emoldurável, duas correntes perpassaram paralelamente o mundo medieval pensando os atos de cólera. Uma tendência, herdeira da cavalaria e das tradições das sociedades celtas e germânicas – dos quais os romances de cavalaria foram os maiores difusores –, preza a ira como virtude, ao ser a manifestação necessária da bravura e do valor do guerreiro, tendo maior expressão no ideal cortês e no amor cortesão. A outra, da qual a igreja seria a maior propagadora através dos sermões e da literatura doutrinal e confessional dos séculos XIV e XV, classificou a ira como um mal que devia ser evitado. Foi um dos “sete vícios capitais” ou “sete pecados capitais” pelo seu impulso incontrolável, violento e desequilibrado, por si só contrários às leis de Deus 5.
Ora, o estudo tem de ir ao encontro da realidade, das formas com que os medievais pensaram e sentiram o cotidiano. Não é a toa que quanto mais características buscamos para circundar os terrenos da ira e da loucura, mais percebemos uma abraçar a outra.

A Ira Insana e a Loucura Furiosa
A ligação da ira com a loucura não foi uma exclusividade e nem uma primazia da Idade Média. Muito antes dos medievos se manifestarem sobre seus próprios devaneios e irritações, vários pensadores da Antiguidade – Clássica e Tardia – teceram comentários, mesmo que tratando primordialmente de outros assuntos, sobre a ira e a loucura. Sêneca, no século I d.C., sustentava a ideia de que a ira é uma loucura breve 6, temporária, interpondo argumentos como a perda do controle de si e da compostura, o esquecimento de obrigações, a recusa de conselhos, e o não discernimento do que é justo e verdadeiro. A evidência de que estariam loucos aqueles que são possuídos pela ira seria a aparência: mãos e lábios trêmulos, o passo apressado, a mudança da cor da tez, respiração forte e acelerada, e a expressão sombria e ameaçadora (SÉNEQUE, 1951) 7. Cícero, que viveu no século I a.C., é quem mostra que não é unanimidade a aproximação da concepção de ira à de insanidade. Ele concebia a energia e o comportamento resoluto distantes do descontrole e da loucura, argumentando com vários exemplos da história grega e romana (CÍCERO, 1962, p.343-348). Mas na antiguidade em geral, e, principalmente nas sociedades da Grécia Arcaica, a ira era considerada um ato de heroísmo, um valor, a “fúria guerreira”, reservada a poucos.
Aos olhos das sociedades germânicas, especialmente dos escandinavos, o caráter do guerreiro enfurecido também aparece na figura do berserkr. Categoria especial de homens que ficariam na linha de frente do combate, lutando sem proteções, possuiriam a capacidade de atingir o êxtase guerreiro – dádiva dos Ases – espumando pela boca, dominados por uma fúria incontrolável e ficando alucinados, alcançando façanhas nas guerras, e sendo muito respeitados por isso (MUSSET, 1951, p.51) 8. De acordo com J. Muniz Coello (2000), em Roma, a própria loucura era situada numa zona muito imprecisa, entre a enfermidade e a inspiração divina (p.236-237). As ideias duais sobre a ira e a loucura, e a zona de convergência entre as duas, em debate desde a Antiguidade, se perpetuaram pela Idade Média. No longínquo século XV, no Modus Confitendi 9 (obra data de c.1473), Mestre André Dias de Escobar (2004), ao apontar os casos em que se incorre na ira, citará a “perturbação da mente”, juntamente à blasfêmia, à injúria, ao gritar demasiado e à dor no coração (p.100).
Que a loucura tinha muito a corresponder aos atos descontrolados não era nenhuma novidade, pois Martinho de Braga (1993), em De Ira, tratado escrito no final do século VI, deixa muito claro o quanto estariam ligados na concepção de seus contemporâneos. Ao falar do aspecto exterior e das atitudes impulsivas do irado, percebia quão insanos poderiam ser os reflexos da ira: “os outros vícios afastam-se da razão, a ira, por si, já se apartou da sanidade mental” (p.149) 10.

O Descontrole e a Perda do Tino

A etimologia das palavras, por ser também resultante de processos históricos, pode ajudar na identificação dos rastros do passado. É o caso do vocábulo ira, que em geral nos textos ibéricos – foco do projeto de pesquisa – aparece designado pelo substantivo feminino saña, ou sanha, e com o respectivo verbo dele derivado, ensañar ou assanhar, e pelo adjetivo sañudo ou sanhudo. Os termos em questão têm provável origem no latino insânia, que significa o rancor, a fúria, a “loucura furiosa” (COROMINAS, 1998, p.524). Sandia seria uma pessoa “desassisada”, sem siso e senso, louca e sem tino, e sandeo seria alguém “sem memória, de pouco entendimento” (SANTA ROSA VITERBO, s.d., p.546-547). Ora, esta definição de ira nos remete diretamente ao que se entende por loucura, ou por atos desvairados e, junto às descrições do período, ajuda a dissipar a neblina que os envolvem. Para além dos textos e manuscritos, a fúria desassisada aparece também em inúmeras representações iconográficas medievais, onde o tema parece chamar a atenção.
Estereótipo mais básico e difundido nas representações visuais, o descontrole (situação em que o insano – muitas vezes sozinho – aparece com características marcantes como braços abertos, correndo, se movimentando, mãos na cabeça ou nos dentes, puxando os cabelos) pode ser concebido tanto por um irado como por um louco, ou por uma mescla entre os dois. Na iluminura da “Árvore dos Vícios” (VERGER DE SOULAS, c.1300), um dos sete galhos que nascem da boca do inferno é o pecado da ira, e a imagem que o “explica” tem uma mulher agarrada aos seus cabelos, possivelmente arrancando-os. Ideia semelhante encontra-se na figura humana que incorpora a ira, pintada por Giotto (c.1305-1306) na Capela Scrovegni (Igreja da Arena), em Pádua. A mulher de cabelos longos rasga, na altura do peito, seu próprio manto; sua face está desfigurada, distorcida pela paixão que a tomou de forma arrasadora. Sem esquecer a função lúdica que tais imagens teriam, calcadas na moral cristã, me parece prudente traçar uma relação entre estas expressões e as características da loucura. Mesmo que a associação não fosse intencional e direta, as expressões aparecem de forma semelhante entre os bobos, bufões, corcundas, deficientes, atores de teatro – com suas máscaras que marcavam bem a expressividade – e coxos, personagens designados como loucos que, como diz Le Goff, o Ocidente Medieval era repleto.
Em outra reprodução, a cólera desvairada adota alguns aspectos interessantes. Na “Mesa dos Sete Pecados Capitais e das Quatro Últimas Coisas 11, já no final da Idade Média, Hyeronimus Bosch (1485), para ilustrar a ira, coloca dois homens embravecidos e de armas em punho, brigando. A cena transcorre no meio rural e há diversos objetos (tamancos, uma mesa tombada, a bainha da espada de um dos homens, uma capa esvoaçando – o que dá a ideia de movimento) espalhados, mostrando que a luta está transcorrendo. Um dos homens está com uma adaga e uma pequena mesinha triangular presa à cabeça, tornando risível sua imagem; o outro, de costas, avança com a espada em riste e um jarro nas mãos, sendo contido pela terceira personagem da cena, uma mulher. Tal obra, ainda mais com os focos em todos os seus quadros, é muito rica, e não haveria meio de analisá-la, por menor, aqui. No que tange ao descontrole, ela traz o elemento do homem fora de si que perde em plenitude o senso da razão, chegando à situação de ter um móvel entravado na cabeça pela sua impossibilidade de controlar as emoções. Assim como suas nefastas expressões faciais, a sua situação o relega, pela comicidade, aos loucos e aos sem tino. A mulher é a oposição, um contraponto ao que se passa com os ostros personagens; é a prudência, a calma, a dosagem.
Outro caso recorrente nos atos de ira insana é o ferir a si próprio, flagelar-se, afligir a si mesmo. Não se trata aqui das práticas ascéticas, mas de uma manifestação sem escolha da cólera, quando o endoidecido não tem a quem dirigir seu furor, e acaba sendo obrigado a “descarregar” em si mesmo. Martinho de Braga (1993) descreveu-a, sendo o momento em que “a ira (...) quando o adversário lhe é subtraído, volta suas dentadas contra si própria” (p.149) 12. Esta cena é fielmente descrita em textos e em imagens, a exemplo de “Satã e os Castigos Infernais” (FRA ANGELICO, 1447), onde o inferno, dividido de acordo com os pecados capitais, em seis compartimentos – os soberbos iriam direto às mãos do diabo –, é representado por demônios praticando torturas das mais variadas, de acordo com o pecado de cada homem. Os irados, ao mesmo tempo em que são espetados por tridentes, mordem a si mesmo e uns aos outros, num acesso de ira e insanidade coletiva. Mesmos atos que Dante Alighieri relegou aos iracundos, imersos na lama ardente, no quinto círculo do inferno (ALIGHIERI, 2001).
Tais situações, exploradas em caráter ensaístico dentre tantas outras possibilidades, ajudam a definir mais precisamente o paradeiro da faixa nebulosa nas fronteiras da ira e da loucura. Contudo, há um significado especial, uma visão diferente da insanidade, que, por seus temperos tão particulares, merece ser tratada a parte.

A Ira Louca e o Amor Cortesão

Um dos maiores legados da Idade Média aos nossos dias, o amor, também teve seus enlaces com os titubeios loucos e enfurecidos. Filho do meio que o estimava, a corte cavaleiresca, o amor cortesão esteve permeado de atitudes alucinantes, atos de total desprendimento, de insensatez, tudo em seu nome; tomando corpo, difundiu-se principalmente através das novelas de cavalaria e, no plano das representações, acabou por criar um modelo de conduta, um código de valores, cortês. Para os cavaleiros, personagens destas histórias, só haveria dois valores: a Cavalaria e o serviço à dama. E não faltam exemplos para mensurar o tamanho da insensatez: façanhas, combates mortais, monstros, tendo sempre como intento a petição amorosa, ligada ao valor pessoal. Através das proezas, dos torneios e dos combates, a ira se engendrava neste mundo, como uma virtude (RÉGNIER-BOHLER, 2006, p.49).
Encilhados entre o amor e a honra, a loucura, nos romances, aparece ligada à frustração, a quebra de algum dos dois grandes bens do cavaleiro, o amor ou a honra. Erec enlouquece, tem um acesso de fúria, ao perceber que fora ludibriado e que terá, necessariamente, que quebrar seu juramento, ou à cavalaria, ou à dama (A DEMANDA, 1944). Tristão delira ao ser rejeitado por Isolda, devido a um mal entendido (BÉDIER, 2006, p.117-123). Amadis de Gaula, ao receber a carta de Oriana, na qual ela o rejeitava para sempre, se descontrola e, numa insana decisão – poderia tentar explicar-se, já que tinha razão – resolve fugir à floresta e desiste da cavalaria (AMADIS, 1950, L.II, Cap. II, p.111-113) 13. Por mais idealizadas que sejam, o que há de comum nas passagens? Nestes romances, tais atos de loucura são como uma penitência, um remir as faltas pelo cometido – mesmo sem culpa ou vontade – à dama. A loucura, representada nos romances em função do amor, com certeza influenciou as mentes daqueles que os escutaram ou leram.

A Ira, a Loucura e o Amor

Para muito além destes esboços, a relação ira-loucura, e destas com o amor, anseia ser tratada com mais atenção. Contudo, algumas pistas já foram descobertas: há indícios de que certos atos descontrolados, furiosos e insanos, frutos da ação de irados, loucos e – por que não? – amantes, podem ser entendidos como próximos e com sentido relacionado. Se, para a Idade Média, algumas fronteiras entre a loucura e a ira eram pensadas como similares ou análogas, ainda é muito cedo para dizer. Mas pelo que parece, a trilha de migalhas de pão que segue no encalço da ira, da loucura e do amor, promete render bons frutos; afinal, não é sem razão que Danielle Régnier-Bohler (2006) dirá que “o amor é loucura, na verdade uma bela loucura” (p.50).

 

Losing the Head: notes on the insane anger and the furious madness in the medieval occident (XIII-XV).

Abstract:In the Middle Ages, anger and madness appear often associated. Uncontrolled acts where the rage seizes the human beings, of bravery furious, insane, may be related to the madness by its character of be apart of the good sense. In another way, the mad, frenzied, possessed, angry, is taken by their actions from the wrath. Madness and anger are therefore very close. By the ambiguity concerning both and the similar characteristics, its borders were never clearly delineated. Thoughts and ideas of the medieval world on acts of anger and mental disorders are present in novels, doctrinal treaties, and another written document as well as in iconography. This short study aims to look into the madness and anger, trying to understand where the concepts are approached in the universe of the medieval man of XIII to XV centuries.

Keywords:Anger; Madness; Courtly Love; Iconography; Cavalry.

 

1 Graduando em História na Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS. E-mail para contato: rodrigomalberto@hotmail.com. Este artigo integra as atividades do projeto de pesquisa “Os Pecados Capitais e a Tradição Ibérica Medieval”, coordenado pelo Professor José Rivair Macedo, do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História da UFRGS, inserindo-se no terceiro tópico do projeto, que visa observar os pecados capitais em tipos diferentes de evidências documentais, para além dos manuais de confissão e a literatura didático-moral, tratados nos outros tópicos.

2 Conjunto de festas populares que ocorriam no inverno, por ocasião do Natal.

3 Sobre o espírito carnavalesco medieval ver especificamente o capítulo 10 – Riso e subversão: o espírito carnavalesco e o “mundo às avessas” p.227-247.

4 Tema desvendado por Michel Foucault (1984).

5 Não me deterei demais nas questões referentes à ira como virtude e como pecado, pois foram trabalhadas com maior atenção em outras etapas do projeto de pesquisa. Para uma abordagem das múltiplas concepções de ira ver José Rivair Macedo (2008) p.111-134.

6 Em latim: ira furor brevis est.

7 Para a interpretação do tratado, ver Paul Veyne (1995) p.203.

8 A ideia de ira estaria presente no nome da maior divindade escandinava, Odin, cujo vocábulo de origem, Ôdhr, significa “fúria”. Ver Georges Dumezil (1959) p.56.

9 Obra com caráter de orientação moral e doutrinal, que servia como um manual para as confissões.

10 No original: “(...) Alia uitia ratione, ira autem a sanitate discessit(...)”.

11 Trata-se de uma mesa, na qual estão representadas as situações em que se incorre em pecado.

12 No original: “(...) sed ubi aduersarius subtrahitur, morsus suos in semetipsa conuertit”.

13 Há o elemento da floresta como sagrada, onde Amadis poderia estar se retirando para se recuperar.

 

Referências
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ALIGHIERI, Dante. A Divina Comédia. V.1. São Paulo: Editora 34, 2001

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MACEDO, José Rivair. A ira em textos luso-castelhanos dos séculos XIV e XV. In: Raízes medievais do Brasil moderno (Actas do colóquio, 2 a 5 de novembro de 2007). Lisboa: Academia Portuguesa de História/Centro de História da Universidade de Lisboa, 2008.

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