O PENSAMENTO EPISTEMOLÓGICO DE KARL POPPER

Paulo Schmidt, José Luiz dos Santos

Resumo


Desde a antiguidade, o critério de demarcação entre o que é ciência e o que não é ciência tem sido discutido. A noção que então se tinha de ciência coincidia com a busca do saber absoluto. Tornava-se necessária, para os pensadores gregos, entre eles, Aristóteles, Pitágoras e Descartes, a consolidação de uma distinção precisa entre o saber contingente e o saber necessário, pois o único discurso que poderia satisfazer às exigências do rigor científico era aquele que apontasse, nos fenômenos, conexões causais cuja necessidade pudesse ser demonstrada. Antes de Popper, o pensamento filosófico ocidental atravessou séculos tentando explicar por que nossas teorias frequentemente estavam erradas. Em sua obra fundamental, A Lógica da Pesquisa Científica, Karl Popper coloca em novos termos a discussão epistemológica ao demonstrar que o erro, em vez de ser um mal que pode ser evitado através do recurso a algum procedimento metodológico específico, constitui componente inevitável de qualquer teoria científica, sendo o motor pelo qual a ciência se move. Buscando captar a lógica do desenvolvimento da ciência, Popper inicia sua exposição destruindo aquele que talvez fosse, de todos os princípios filosóficos, o mais caro aos cientistas e à boa parte dos filósofos de seu tempo: o princípio da indução como método de procedimento científico. Neste artigo, abordam-se alguns dos principais tópicos do pensamento popperiano, como o princípio da indução, a concepção de ciência e a falseabilidade. Também se intenta aduzir alguns debates filosóficos, justapondo às opiniões de Popper e de críticos ao seu pensamento. A contestação aludida ao pensamento popperiano advém do professor Thomas S. Kuhn, da Princeton University. Kuhn objeta à opinião de Popper quando este afirma que o cientista é um solucionador de problemas. Para Kuhn, os cientistas são solucionadores de enigmas e não de problemas. Essa posição, afirma Kuhn, é quase contrária a de Popper. Essas poucas diferenças de opinião entre Kuhn e Popper têm como intuito incrementar a erudição sobre o pensamento popperiano. Percebe-se que o procedimento genuinamente científico começa onde termina a indução. A observação empírica sistemática é sempre uma etapa posterior à elaboração de uma hipótese original e tem a finalidade única de testar essa hipótese. Cabe aqui uma manifestação de gratidão a Sir Karl Raimund Popper por sua colaboração ao desenvolvimento do conhecimento científico.

Palavras-chave


Pensamento Epistemológico. Karl Popper. Indutivismo. Ciência. Thomas Kuhn. Falseabilidade.

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ConTexto - Revista do Programa de Pós-Graduação em Controladoria e Contabilidade da UFRGS - E-ISSN: 2175-8751

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