VULNERABILIDADES EXTERNAS E INTERNAS DAS ECONOMIAS EMERGENTES E PADRÃO DE CONTAGIO. A EXPERIÊNCIA DA DÉCADA DE 1990

Milton Pereira de Assis

Resumo


A intensificação do processo de globalização da economia mundial na década de 1990 aumentou a sensibilidade dos mercados para os problemas de estabilização e desajuste estrutural das economias, o que resultou em crises monetárias sérias e recorrentes. Os defensores da tese dos fundamentos argumentam que, quando a crise surge em um país emergente importante, os investidores reavaliam os fundamentos econômicos de outros países causando urna fuga dos credores ao mesmo tempo em que os especuladores atacam a moeda para obter ganhos, iniciando um processo que intensifica a crise. Por outro lado, os defensores da tese do contágio puro acreditam no pânico especulativo ou comportamento irracional dos investidores. A hipótese testada neste trabalho é de que os países mais vulneráveis ao contágio são aqueles em que os déficits nas contas correntes são acompanhados de forte sobrevalorização da moeda, o sistema bancário encontra-se fragilizado e as reservas internacionais são reduzidas em relação às dívidas externas de curto prazo. Os resultados econométricos usando conjuntamente as observações das crises mexicana, asiática e russa não rejeitam a hipótese de que fracos fundamentos e baixas reservas tornam as economias mais vulneráveis ao contágio mas a tese de um único padrão de contágio, não foi verificada nas análises separadas das crises mexicana, asiática e russa. Entretanto, os resultados econométricos são consistentes com as avaliações realizadas por diversos economistas. A limitação para o desenvolvimento futuro desta linha de pesquisa é que ainda não temos um modelo geral capaz de explicar todas as crises. A implicação de política deste trabalho é que os países vulneráveis devem procurar a concessão de linhas de crédito contingenciadas nas agências multilaterais de crédito para enfrentar o pânico financeiro, enquanto são corrigidas as vulnerabilidades externas e internas e procuram-se formas de reduzir a mobilidade dos capitais de curto prazo.

Palavras-chave


Crises de contágio. Vulnerabilidades externa e interna. Crise monetária.

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DOI: https://doi.org/10.22456/2176-5456.10798



 
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Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Faculdade de Ciências Econômicas
Revista Análise Econômica
ISSN 0102-9924 / e-ISSN 2176-5456