Amós Oz: a perplexidade da inversão de posições

Saul Kirschbaum

Resumo


A obra de Amós Oz tematiza a dificuldade de estar “do outro lado”, do povo acostumado a ser minoria que agora se vê como hegemônico e tem que aprender a lidar com minorias. Em A caixa preta, por exemplo, Oz utiliza, com essa intenção, uma estrutura polifônica, em contraste com a voz única das populações hegemônicas com que os judeus viveram na diáspora, sociedades em que a voz dos judeus não era ouvida. Nesta e em outras obras, o autor insiste em discutir as relações entre o Estado judeu e suas minorias, especialmente os árabes, mas também entre a elite ashkenazi e as “minorias” sefaradi e mizrahi. Em Meu Michel e no conto “O nômade e a víbora”, o foco recai sobre a plena aceitação das minorias nãojudaicas: podem elas ter relações pessoais com a população judaica?

 

Amos Oz: perplexity in face of an inversion of roles - Abstract: The work of Amos Oz has as themethe difficulty of being “at the other side”, for a people who used to be minority and that now finds itself as hegemonic and has to learn how to deal with minorities. In The black box, for example, Oz purposely uses a polyphonic structure, contrasting with the sole voice of the hegemonicpeople among whom jews lived in the diaspora, societies where the jews’ voice wasn’t heard at all. In this work and in others, the author insists in discussing the relations between the Jewish State and their minorities, specially the arabs, but also between the Ashkenazi elite and the Sephardic and Mizrachi “minorities”. In My Michael and in the short story “The nomad and the viper”, the focus falls upon the entire acceptance of the non-Jewish minorities: can they have personal relations with the Jewish population?


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