CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO – DOSSIÊ TEMÁTICO 2016/2 – “GÊNERO, RAÇA E CLASSE”

 

Chamada para Publicação

Dossiê Temático 2016/2 – “Gênero, Raça e Classe”

 

       A Revista Aedos é a publicação online do Corpo Discente do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Seu objetivo é proporcionar mais um espaço para divulgação e debate de trabalhos acadêmicos inéditos na área de História, na forma de artigos, resenhas de livros e entrevistas.

       Para compor o seu oitavo volume, número dezenove, referente ao segundo semestre de 2016, a Aedos receberá, de 19 de agosto a 20 de outubro de 2016, artigos para o dossiê temático “Gênero, Raça e Classe”. A submissão dos trabalhos será feita unicamente através do site da Revista, mediante cadastro das/os autoras/es.

 Prazo de envio de artigos para o dossiê: de 19 de agosto a 20 de outubro de 2016.

Envio de artigos de temática livre: fluxo contínuo.

Submissão de textos e Diretrizes para Autores:

http://seer.ufrgs.br/index.php/aedos/about/submissions#onlineSubmissions

  

Dossiê Temático

“Gênero, Raça e Classe”.

 

       Analisar e compreender os diversos elementos e fenômenos que concernem à configuração das relações de poder é um desafio heurístico que nós, históriadoras/es e pesquisadoras/es das ciências sociais e humanas devemos enfrentar, considerando a complexidade do social. A epistemologia feminista, ao mesmo tempo em que rompe com definições de neutralidade, nos apresenta conceitos como a interseccionalidade e a consubstancialidade, que nos ajudam a compreender a interdependência das relações de poder, as interações que se produzem entre os sistemas de opressão e as variadas formas de composição das identidades.

       A literatura aponta que o termo interseccionalidade foi usado pela primeira vez em 1989, no texto da jurista afro-americana Kimberlé W. Crenshaw. A interseccionalidade debruça-se sobre a interação de múltiplas categorias do real - pode compreender outras relações sociais, como etnia, religião, idade, entre outras - e sobre como essa interação produz e reproduz desigualdades sociais. Contudo, se os estudos sobre interseccionalidade privilegiam a intersecção entre raça e gênero, os de consubstancialidade valorizam a de gênero e classe. E foi nos estudos da francesa Danièle Kergoat, nos anos de 1970, que se teorizou sobre consubstancialidade, primeiramente entre classe e gênero, para posteriormente agregar a dimensão de raça. Enquanto teórica feminista materialista, Kergoat problematiza o afastamento de algumas abordagens das relações sociais que apresenta como fundamentais: raça, classe e gênero. Críticas à parte, ambos os conceitos nos instigam a pensar raça, genêro e classe – entre outras categorias – de modo imbricado e complexo, que perpassa o embate teórico, tornando-se também político.

       É preciso enfatizar, portanto, as dimensões políticas desta perspectiva e a posição que ela demarca, relacionadas à valorização das experiências e trajetórias de sujeitos marginalizados socialmente e frequentemente invisibilizados nas análises historiográficas, como o são aqueles pertencentes a minorias étnicas ou sexuais e às camadas mais pobres da sociedade – sobretudo mulheres negras e, também, em nosso contexto brasileiro e americano, indígenas. Dessa forma, compartilhamos da visão de que o conhecimento histórico pode constituir-se ao mesmo tempo em espaço e instrumento de luta política, visto que a introdução destes debates e problematizações pode contribuir para o questionamento de saberes supostamente neutros, mas que na verdade provém de lugares – elitizados, masculinos, brancos, ocidentais, heterossexuais e cissexuais – bastante demarcados. E é fundamental mencionar também a presença ativa destes sujeitos na proposição destas discussões, na medida em que, com a sua atuação na academia – e também fora dela –, passam a produzir conhecimento a partir das próprias vivências e a problematizar as próprias realidades e opressões, pautando assim debates acadêmicos, historiográficos e políticos mais amplos.

       Por fim, a proposição deste Dossiê se vincula também a um momento bastante importante para o Programa de Pós-Graduação em História da UFRGS: em maio deste ano, foi aprovado em plenária composta por docentes e discentes o estabelecimento de ações afirmativas no PPG, com a reserva de ao menos 30% das vagas dos processos seletivos para negras e negros, indígenas, trans* e pessoas com deficiência, além da previsão de prioridade na concessão de bolsas para as candidatas e candidatos que ingressarem através de ações afirmativas, com vistas a assegurar a sua permanência. A presença destes sujeitos na academia, ademais de refletir o seu empoderamento e as suas demandas e lutas históricas, é fundamental para o arejamento dos debates historiográficos e para deslocar perspectivas opressoras que por tempo demais permaneceram arraigadas.

       Assim, com o intuito de divulgar a complexidade dos debates e as inúmeras possibilidades de análise – a partir de variados recortes temporais ou perspectivas teóricas e metodológicas – acerca destas importantes questões, mas também de visibilizar as vivências e as lutas destes sujeitos, a Aedos propõe um Dossiê Temático que enfocará as interações entre as relações de poder e as múltiplas dimensões – de Gênero, Raça e Classe – que compõem o social e tem implicação na conformação de sistemas de opressão e de identidades.

 

Marina Gris da Silva (Editora Gerente)

Micaele Irene Scheer (Editora Chefe)