Escritura na convergência de mídias
Karla Rosane do Amaral Demoly
Resumo
Esta tese é o resultado de uma análise sobre como um grupo de professoras em condições
perceptivas distintas escreve, quando se envolvem em uma experiência de escritura na convergência
de mídias. Trata-se de um estudo de natureza qualitativa que busca produzir uma análise
exploratória embasado principalmente nas Teorias da Biologia do Conhecer de Humberto
Maturana e na Teoria da enação de Francisco Varela, no que se referem ao modo de observar
e explicar um fenômeno a partir de uma experiência de escritura. A recursividade constitutiva
entre escrita e tecnologia é descrita por vários autores, demonstrando que as tecnologias
se transformam em ferramentas que modulam os modos de escrever. Situamos o trabalho no
campo da Antropologia da Escritura, ao mantermos um diálogo entre alguns de seus autores,
dentre os quais destacamos Jack Goody, Jacques Derrida, Roger Chartier e Béatrice Fraenkel.
A discussão sobre os modos de viver-conhecer no encontro com diferenças perceptivas visuais
e auditivas está embasada principalmente nas obras de Bernard Mottez, Brigitte Garcia, Yves
Delaporte e Zina Weygand. O principal foco da investigação foi acompanhar as modalidades de
escritura que as professoras – ouvintes e videntes, no encontro com uma professora cega e
uma professora surda – realizaram ao se propor a produzir um hiperdocumento coletivo. Para
análise da experiência, foi produzido um mapeamento da rede de escrituras tecida pelas professoras
em fóruns e salas de bate-papo em ambiente virtual. Os principais marcadores dessa
análise qualitativa e exploratória foram as escritas recorrentes e, principalmente, as questões
que as professoras formulavam a si e ao grupo na atividade de escrita ou de comentar sobre a
escrita feita. Uma diversidade de fonte de informações compõe este mapeamento e subsidiou
a análise: filmagens de oficinas organizadas durante a experiência de criação de uma escritura
digital, conversações escritas em fóruns e salas de bate-papo na Internet, recortes de diferentes
versões da produção de escritas para o hiperdocumento e anotações de campo. As práticas
de composição escrita na Internet provocam mudanças nas coordenações de ações, permitindo
o encontro entre pessoas que antes não poderiam produzir algo juntas. Estas mudanças nas
coordenações de ações, ao envolver um trabalho de manipulação e edição de diferentes mídias
- imagens, sons, textos e a Língua de Sinais – faz com que surja uma nova experiência de
escritura, implicando em mudanças cognitivas, afetivas e estéticas. Atos de escritura coletiva
e digital podem produzir uma convergência interativa na qual existem grandes possibilidades
de interlocução entre pessoas com diferentes condições perceptivas, pois mudam os modos
sensório-motores de acoplamento com a escrita e as coordenações de ações na rede de conversações
escritas tecidas pelas professoras.
perceptivas distintas escreve, quando se envolvem em uma experiência de escritura na convergência
de mídias. Trata-se de um estudo de natureza qualitativa que busca produzir uma análise
exploratória embasado principalmente nas Teorias da Biologia do Conhecer de Humberto
Maturana e na Teoria da enação de Francisco Varela, no que se referem ao modo de observar
e explicar um fenômeno a partir de uma experiência de escritura. A recursividade constitutiva
entre escrita e tecnologia é descrita por vários autores, demonstrando que as tecnologias
se transformam em ferramentas que modulam os modos de escrever. Situamos o trabalho no
campo da Antropologia da Escritura, ao mantermos um diálogo entre alguns de seus autores,
dentre os quais destacamos Jack Goody, Jacques Derrida, Roger Chartier e Béatrice Fraenkel.
A discussão sobre os modos de viver-conhecer no encontro com diferenças perceptivas visuais
e auditivas está embasada principalmente nas obras de Bernard Mottez, Brigitte Garcia, Yves
Delaporte e Zina Weygand. O principal foco da investigação foi acompanhar as modalidades de
escritura que as professoras – ouvintes e videntes, no encontro com uma professora cega e
uma professora surda – realizaram ao se propor a produzir um hiperdocumento coletivo. Para
análise da experiência, foi produzido um mapeamento da rede de escrituras tecida pelas professoras
em fóruns e salas de bate-papo em ambiente virtual. Os principais marcadores dessa
análise qualitativa e exploratória foram as escritas recorrentes e, principalmente, as questões
que as professoras formulavam a si e ao grupo na atividade de escrita ou de comentar sobre a
escrita feita. Uma diversidade de fonte de informações compõe este mapeamento e subsidiou
a análise: filmagens de oficinas organizadas durante a experiência de criação de uma escritura
digital, conversações escritas em fóruns e salas de bate-papo na Internet, recortes de diferentes
versões da produção de escritas para o hiperdocumento e anotações de campo. As práticas
de composição escrita na Internet provocam mudanças nas coordenações de ações, permitindo
o encontro entre pessoas que antes não poderiam produzir algo juntas. Estas mudanças nas
coordenações de ações, ao envolver um trabalho de manipulação e edição de diferentes mídias
- imagens, sons, textos e a Língua de Sinais – faz com que surja uma nova experiência de
escritura, implicando em mudanças cognitivas, afetivas e estéticas. Atos de escritura coletiva
e digital podem produzir uma convergência interativa na qual existem grandes possibilidades
de interlocução entre pessoas com diferentes condições perceptivas, pois mudam os modos
sensório-motores de acoplamento com a escrita e as coordenações de ações na rede de conversações
escritas tecidas pelas professoras.
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INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO: teoria & prática. ISSN: 1516-084X e-ISSN: 1982-1654